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Depressão

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice só é menor do que nos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

Portanto, vemos a importância de um diagnóstico bem-feito e de um tratamento adequado para a melhora da qualidade de vida e do funcionamento do sujeito.

Vamos conhecê-la melhor para tratarmos de forma apropriada?

Vem comigo!

Para caracterizarmos o transtorno depressivo, basicamente o paciente deve sentir-se com um rebaixamento de humor (humor deprimido) na maior parte de seu dia e quase todos os dias, há pelo menos 2 semanas. O paciente, então, poderá relatar que se sente triste, ou sem esperança, ou que tem uma sensação de vazio, por exemplo. Há, ainda, a intensa redução de interesse ou prazer por atividades que antes o paciente gostava, deixando a vida do sujeito mais monótona e sem graça. Esses dois sintomas são os principais para fecharmos o diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior, sendo outros sintomas também necessários para o diagnóstico, como:

  • Alteração do apetite para mais ou para menos.
  • Alteração do padrão do sono. Há pacientes que se queixam de não conseguirem pregar o olho, apesar de relatarem cansaço, e há outros que, pelo contrário, só dormem. Dormem numa tentativa de apaziguar seu sofrimento ou pela fadiga excessiva.
  • Agitação ou retardo/lentificação psicomotora
    -Fadiga ou redução do nível de energia, o que também pode ser confundido pelos pacientes com preguiça.
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, que podem chegar a ser delirantes.
  • Redução da atenção, concentração e uma incapacidade de tomar decisões.
  • Pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida, que pode variar desde pensamentos como “poxa, queria não ter acordado hoje” até a planos suicidas.

É claro que o diagnóstico de Depressão pode não ser tão fácil ou óbvio como parece. Existem vários tipos de depressão, e seus sintomas irão variar de pessoa para pessoa e de acordo também com a personalidade do sujeito (se é mais ansioso ou mais melancólico, por exemplo).

Alguns deprimidos também podem apresentar sintomas somáticos (físicos), juntamente, ou ao invés dos sintomas emocionais de tristeza, angústia, medo etc.

Esses sintomas físicos podem ser, por exemplo, dores imprecisas, tonturas, cólicas, falta de ar, entre outras.

Para a dinâmica psíquica destes pacientes somáticos, talvez seja mais fácil comunicar sua aflição e desespero através dos órgãos, mais do que através da fala. Também em crianças e adolescentes a depressão pode ser dissimulada sob a forma de um humor irritável ou rabugento, revoltado e irrequieto, ao invés da tristeza e abatimento.

Outras pessoas podem manifestar sua depressão com irritabilidade aumentada, como, por exemplo, crises de raiva, explosividade, sentimentos exagerados de frustração, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando os outros.

E ainda há aquele grupo de pacientes que chega ao consultório sorrindo, bem-vestido, superficialmente aparentando estar saudável, mas que com um certo tempo de consulta se mostra um bom dissimulador: “Dra., eu disfarço bem em casa ou no trabalho, porque não quero ser um peso ou preocupar ninguém. Mas não estou aguentando mais!”.

Portanto, como vimos, a depressão se esconde atrás de várias facetas, podendo vir disfarçada com sorrisos, irritabilidade, sonolência, comer compulsivo etc. Por isso é tão importante falarmos cada vez mais sobre ela e diagnosticarmos o mais precocemente possível para reduzirmos o dano social, laborativo e na qualidade de vida do paciente.

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Transtorno Afetivo Bipolar ou
Transtorno Bipolar do Humor

Antes chamado de Doença Maníaca Depressiva ou Psicose Maníaco Depressiva (PMD), o Transtorno Bipolar do Humor caracteriza-se por períodos de depressão, que se alternam com episódios de euforia (os denominados episódios maníacos). Não necessariamente um ocorre depois do outro (podem surgir vários episódios depressivos e um eufórico ou vice-versa) e normalmente essas crises surgem sem que se possa associar à alguma razão vivencial, diferente da tristeza e alegria normais dos seres humanos.

São oscilações de humor que duram pelo menos uma semana, ocorrendo na fase depressiva os mesmos sintomas que ocorrem na depressão unipolar (humor rebaixado, falta de energia, desmotivação, tristeza, perda do prazer pelas atividades que antes gostava, lentidão psicomotora, alteração de concentração e memória, alteração do padrão de sono e do apetite, entre outros). Já na fase maníaca, o paciente apresenta justamente o contrário dos sintomas depressivos, com excesso de energia, muita vontade de realizar suas tarefas, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, pensamento acelerado, o qual pode ser manifestado através da fala rápida e da fuga de ideias (o pensamento do paciente está tão acelerado que ele se perde em seu discurso, fazendo com que ele comece um assunto sem terminar o anterior e sem fazer conexão entre eles). Há também, nesta fase, autoestima inflada, sexualidade aflorada e menor necessidade de sono.

Em ambos os polos do humor, ou seja, tanto na fase depressiva, quanto na fase maníaca, pode haver, em alguns casos graves, sintomas psicóticos, como ideias delirantes de ruína ou de fracasso (nos episódios depressivos), ou ideias delirantes de grandeza ou de poder, nos episódios de euforia.

De acordo com a intensidade dos sintomas, o Transtorno Bipolar pode ser dividido em THB tipo 1 ou THB tipo2, e ambos têm muita influência genética.

Seu tratamento inclui estabilizadores do humor, antidepressivos e antipsicóticos, além, claro, de ser necessário um bom acompanhamento psicológico para autoconhecimento.

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Transtorno de Personalidade Borderline

Como o próprio nome já diz, trata-se de uma patologia da personalidade. E você sabe o que é personalidade? É o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir de uma pessoa. Sua formação é um processo gradual, complexo e único a cada indivíduo, portanto, não podemos dizer a idade exata de quando uma personalidade está formada, mas sabe-se que a infância é um período crucial para a sua formação.

Chama-se de Transtorno da Personalidade quando o padrão de comportamento e a experiência interna de cada indivíduo se desvia acentuadamente das expectativas da cultura desse sujeito, de maneira inflexível e difusa, acarretando prejuízos e sofrimentos na vida social, amorosa, familiar e laboral da pessoa.

Aqui, abordarei um pouco o Transtorno de Personalidade Borderline, que se caracteriza por um padrão de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem, dos afetos e de impulsividade acentuada, que surge no começo da vida adulta. São pessoas que evitam a todo custo um abandono real ou imaginário, podendo chegar ao extremo da impulsividade, a automutilações (como por exemplo e mais frequentemente é visto, cortes na região dos pulsos ou até uma tentativa de suicídio). Também são pessoas que oscilam drasticamente de humor, por serem pouco tolerantes à frustração, e são extremamente intensas no campo do amor e amizades, podendo variar desde uma idealização do parceiro ou da amiga, até a completa desvalorização ou inimizade, caso uma necessidade não seja atendida, por exemplo.

Tal mudança de humor faz também com que a paciente alterne sua autoimagem, autoestima, metas de carreira, amigos etc. Sua identidade não é algo muito constante, podendo variar de acordo com o grupo de amizades na qual está inserida.

As pessoas com esse transtorno mostram-se ainda muito impulsivas em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas. Podem apostar, gastar dinheiro de forma irresponsável, comer compulsivamente, abusar de substâncias, envolver-se em sexo desprotegido ou dirigir de forma imprudente.

Em geral, apresentam comportamento e recorrência de gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento de automutilação. O suicídio ocorre em 8 a 10% destes pacientes, sendo que atos de automutilação, como por exemplo cortes ou queimaduras e ameaças e tentativas de suicídio são muito comuns.

Segundo o DSM -5, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, para fazermos o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline necessitamos de alguns critérios.

Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade acentuada que surgem no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:

  1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado.
  2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização.
  3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo.
  4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (p. ex., gastos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar).
  5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante.
  6. Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade de humor (p. ex., disforia episódica, irritabilidade ou ansiedade intensa, com duração geralmente de poucas horas e apenas raramente de mais de alguns dias).
  7. Sentimentos crônicos de vazio.
  8. Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (p. ex., mostras frequentes de irritação, raiva constante, brigas físicas recorrentes).
  9. Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos.

Se você se identificou com alguns desses critérios e acha que tem prejuízo em sua vida devido a eles, não deixe de procurar ajuda!

Medicação e uma boa terapia podem salvar vidas!

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Transtorno de Ansiedade Generalizada

A ansiedade é hoje em dia quase que condição sine qua non para vivermos nessa sociedade moderna, na qual somos forçados a dar conta de trabalho, família, parentalidade e ainda termos tempo para cuidarmos de nós mesmos.

Acomete, segundo a OMS, cerca de 9,3% da população adulta brasileira (uma das maiores taxas do mundo!!) e tem uma prevalência mais ou menos estável ao longo da vida.

Porém, a ansiedade até certo ponto é algo positivo, nos ajudando em nossa adaptação. É ela que nos obriga a lutar pela sobrevivência, a ter melhor desempenho e a conquistar nossos objetivos, sendo considerada patológica quando é paralisante, quando estressa demais a ponto de o paciente não sair do lugar e ter sintomas físicos e cognitivos. O Transtorno de Ansiedade Generalizada, por exemplo (que é apenas uma das patologias da Esfera Ansiedade, sendo as outras patologias o Transtorno de Pânico, as Fobias, a Ansiedade Social, entre outros), é caracterizada por uma expectativa apreensiva ou preocupação excessiva, ocorrendo na maioria dos dias e com duração de, pelo menos, 6 meses. O paciente considera difícil controlar essa preocupação excessiva, a qual é acompanhada de pelo menos três dos seguintes sintomas:
Inquietação
Fadiga
Dificuldade em concentrar-se
Irritabilidade
Tensão muscular
Perturbação do sono

Os pacientes acometidos por esse transtorno se preocupam de maneira muito exagerada com circunstâncias cotidianas e rotineiras, como possíveis responsabilidades.

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TDAH em adultos

O TDAH, sigla para Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, é uma patologia do neurodesenvolvimento e, portanto, seus sintomas são geralmente vistos na infância. Ele é caracterizado por desatenção, atividade motora excessiva e impulsividade, inadequados à etapa do desenvolvimento e presente em pelo menos dois ambientes distintos, ou seja, a criança não pode ser só desatenta na escola, por exemplo. Para fecharmos o diagnóstico, esta queixa também deve estar presente em pelo menos mais um ambiente. Segundo o DSM-5, os sintomas devem surgir antes dos 12 anos de idade e, muitas vezes, acompanham esses pacientes até a vida adulta, sendo encontrado em 2,5 a 5 % da população nesta faixa etária. É uma patologia do córtex pré-frontal, gânglios da base e cerebelo.

As crianças com o TDAH são agitadas, hiperativas, desajeitadas, ficam “a mil por hora” e, na hora de dormir, parece que “desligam a bateria” repentinamente. Algumas parecem possuir uma certa resistência a dor (a mãe nota que os beliscões não têm muito efeito nelas), não prestam atenção, são muito conversadeiras, esquecem e perdem objetos, não terminam o que começam, não se integram nas brincadeiras infantis, não seguem regras, entre outras queixas.

Já os adultos com TDAH nem sempre são agitados, mas têm grandes dificuldades com a atenção (principalmente no que diz respeito a atividades pelas quais não têm muita ligação afetiva), com a falta de planejamento e organização (incluindo a desorganização com o tempo) e com o controle de impulso. São proteladores e procrastinadores por excelência, demoram a começar alguma coisa e quando começam não terminam. Ao longo do tempo, podem ir perdendo a motivação e, principalmente, vão criando uma falsa crença de não serem capazes de terminar nada o que começam, minando sua autoestima, sentindo-se fracassados e pouco inteligentes. Muitos chegam ao consultório com quadros de depressão e ansiedade, por consequência de seus sintomas de TDAH.

A desatenção manifesta-se no TDAH como uma divagação em tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização, mas não constitui consequência de desafio ou falta de compreensão. A hiperatividade refere-se a atividade motora excessiva quando não apropriado ou mesmo remexer, batucar ou conversar em excesso.

Já a hiperatividade pode se manifestar como inquietude extrema ou extenuação dos outros com essa hiperatividade. E a impulsividade refere-se a ações precipitadas que ocorrem sem premeditação e com elevado potencial para dano à pessoa, como por exemplo atravessar uma rua sem olhar ou até uma perda do controle financeiro, devido a compras por impulso. A impulsividade pode ser reflexo de um desejo de recompensas imediatas ou incapacidade de postergar a gratificação ou prazer, bem como reflexos de grande ansiedade.

O diagnóstico do TDAH no adulto é desafiador, na medida em que os adultos já adquiriram algumas estratégias comportamentais para tentar driblar seus sintomas e, para piorar a situação, alguns desses sintomas confundem-se com ansiedade extrema, sendo fundamental o diagnóstico diferencial com essa patologia.

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Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O que é transtorno obsessivo-compulsivo?

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um quadro marcado pela manifestação de pensamentos, ideias ou imagens na mente, de forma intrusiva e descontrolada, provocando ansiedade e prejuízos na qualidade de vida do indivíduo.

Embora esse padrão de pensamentos e ideias seja visto como irracional e o indivíduo tenha consciência disso, é incapaz de evitá-lo.

Toda a tensão provocada pelo transtorno é atenuada por meio de rituais repetitivos – as conhecidas compulsões, que são realizadas de modo voluntário, ocupando boa parte do dia do indivíduo, impactando sua qualidade de vida e provocando dano e sofrimento.

As obsessões mais conhecidas abrangem:

· Medo de contaminação;
· Preocupação excessiva com a higiene;
· Receio do que pode acontecer consigo ou com o outro;
· Dúvidas;
· Simetria;
· Contagem;
· Colecionismo;
· Arrumação;
· Checagem.

Tratamento
O tratamento envolve o uso de medicamentos, como os antidepressivos serotoninérgicos, além de psicoterapia cognitivo-comportamental, que envolve a realização de técnicas de habituação e dessensibilização, com a exposição ao estímulo, para diminuir a ansiedade.